Tenente-coronel acusado de matar esposa PM divide cela com mais 3 em presídio militar e tem 2 horas de banho de sol
30/04/2026
(Foto: Reprodução) Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes
O tenente-coronel Geraldo Neto, preso acusado de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves, com um tiro na cabeça, divide há mais de um mês uma cela com outros três policiais militares.
Ele está detido no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte de São Paulo, onde cumpre uma rotina que pode incluir até cinco refeições diárias e direito a duas horas diárias de banho de sol.
A soldado morreu dentro do apartamento do casal no Brás, no Centro da capital, em 18 de fevereiro. Ela tinha 32 anos. Segundo o Ministério Público (MP), ela queria se separar e o marido, de 53 anos, não aceitava (saiba mais abaixo).
O oficial nega os crimes e alega que a mulher se matou após ele pedir o divórcio. Apesar disso, ele está detido preventivamente por decisão da Justiça.
Divide cela com mais 3 PMs
PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP. Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro).
Reprodução
As informações sobre o presídio e a permanência de Neto nele foram confirmadas ao g1 pela Polícia Militar (PM) por meio de nota encaminhada pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).
"O interno se encontra alocado na ala voltada aos internos do regime fechado, primeiro estágio, em uma cela com outros 3 reeducandos", informa a PM num trecho do comunicado da pasta.
Segundo a Polícia Militar, a rotina de todos os PMs presos inclui três refeições principais — café da manhã, almoço e jantar — além de duas complementares ao longo do dia, possivelmente lanches.
Tenente-coronel Neto foi recebido com abraço dado por um policial militar quando chegou ao Romão Gomes (centro). Presídio é o único exclusivo para agentes da PM no estado de SP
Reprodução
Preso desde 18 de março, o oficial completou, na quarta-feira (28), 42 dias detido no Romão. Segundo a PM, o militar que entra preso na unidade mantém a patente, embora fique impedido de exercer autoridade hierárquica dentro do presídio.
Recebido com abraço
Tentente-coronel é recebido com abraço no Presídio Militar Romão Gomes, em SP
Vídeo obtido pela TV Globo mostra o momento em que o tenente-coronel foi recebido com abraços por outro policial militar ao chegar ao presídio, no mês passado. A corporação não informou se esse tipo de recepção é comum.
Neto está no primeiro estágio do regime fechado, considerado o mais restritivo dentro da unidade. Nessa fase inicial de adaptação, a circulação é limitada e as saídas da cela ocorrem basicamente para o banho de sol e atendimentos, como falar por tempo indeterminado com advogados.
"Já está subindo de estágio, mas acho que ainda não subiu. Não tenho essa informação concreta", falou o advogado de Neto, Eugênio Malavasi, ao g1.
Segundo a PM, todos os presos que ingressam no regime fechado passam inicialmente pelo estágio vermelho por pelo menos 30 dias. A progressão para fases menos restritivas depende de comportamento e avaliações internas.
Horta e criação de galinhas
Tenente-coronel Neto (no alto à direita) tem de ficar 22 horas por dia na cela do presídio militar Romão Gomes em São Paulo
Reprodução/TV Globo
Ainda de acordo com a corporação, apenas os presos do regime semiaberto podem atuar em atividades como a manutenção de horta e a criação de galinhas — neste caso, destinada exclusivamente à produção de ovos dentro da unidade.
Além disso, os internos têm direito a visitas de familiares e assistência de saúde, psicológica, social e religiosa. Outra possibilidade é o estudo por correspondência e atividades de trabalho interno, que podem contribuir para a remição da pena.
Tenente-coronel Geraldo Neto (à direita) está preso no Romão Gomes (ao centro) acusado de matar a soldado Gisele Alves, sua esposa
Reprodução/Fabrício Lobel/TV Globo
Criado em 21 de abril de 1949, inicialmente em instalações improvisadas, o Presídio Militar Romão Gomes tornou-se uma unidade administrativa autônoma em 1952 e, desde então, é a única prisão do estado de São Paulo destinada exclusivamente a policiais militares. Atualmente, tem capacidade para 328 detentos e abriga cerca de 250.
A unidade também possui uma ala feminina, com capacidade para até seis policiais militares presas. Segundo a corporação, atualmente há uma mulher detida no local. As internas ficam separadas dos homens, seguindo as regras de segurança e organização do presídio.
Apesar de reportagens ao longo dos anos mencionarem ao menos seis casos de fugas na unidade, a Polícia Militar afirma oficialmente que há registro de apenas uma fuga desde a fundação: em 2016. Segundo a corporação, o detento foi recapturado logo em seguida e não houve outros casos desde então.
Mizael, Cabo Bruno e Rambo
Geraldo Neto (esquerda) foi para mesma prisão militar onde já passaram (na sequência) Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo
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Historicamente, o presídio já recebeu detentos envolvidos em casos criminais de grande repercussão, como os ex-PMs Mizael Bispo, Cabo Bruno e Otávio Lourenço Gambra, conhecido como Rambo.
Oficial está em presídio militar onde já passaram Mizael Bispo, Cabo Bruno e Rambo
Reportagem do Fantástico, em 2010, mostrou que o homicídio foi o crime que mais levou policiais militares ao Romão.
O g1 visitou o Romão em 2013, quando publicou reportagem sobre os presos famosos que passaram pelo presídio e como era a rotina no local.
À época, a direção do presídio organizava os internos por quatro estágios identificados por cores (vermelho, amarelo, verde e azul). Cada estágio determina onde o preso fica, quanto circula, quais atividades pode realizar e o nível de disciplina exigido.
Réu por feminicídio
Corregedoria prende tenente-coronel da PM acusado de matar esposa e simular suicídio
Em 18 de março, a Justiça decretou a prisão preventiva e tornou Neto réu por feminicídio e fraude processual — por supostamente tentar simular um suicídio. Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP apontam que ele teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime.
Mensagens extraídas do celular do tenente-coronel indicam, segundo o MP, um padrão de controle e violência doméstica. Em alguns trechos, ele se autodenominava “macho alfa” e exigia que a esposa se comportasse como uma “fêmea beta”.
Além disso, vídeos gravados pelas câmeras corporais dos PMs que atenderam a ocorrência colocaram em xeque a versão de suicídio apresentada por Neto. Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.
O tenente-coronel Geraldo Neto é o primeiro oficial da Polícia Militar do estado de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, data da criação da lei.
Em 2 de abril deste ano, a PM aposentou Neto da corporação. Ou seja, mesmo aposentado, ele continuará recebendo o salário que – no mês de fevereiro de 2026, antes da prisão – foi de R$ 28,9 mil brutos, segundo o site da Transparência do Governo de São Paulo.
Na quarta-feira o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em Brasília, decidiu que Justiça comum deverá julgar, se necessário, o tenente-coronel da PM pelo assassinato da esposa policial.
Em 2013, g1 visitou Romão Gomes e registrou presença de PMs presos, entre eles, Mizael Bispo (à direita), que usava crachá vermelho
Arquivo/Raul Zito/g1
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