Onda de calor e temporais: veja como fica o tempo e entenda alertas para região de Piracicaba
30/09/2026
(Foto: Reprodução) Região têm alerta de temporal com ventos de até 70 km/h
O alerta vermelho de grande perigo para onda de calor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) tem validade até o fim desta quarta-feira (30) e abrange as 18 cidades do g1 Piracicaba (SP) e região. Entre esta quinta-feira (1º) e domingo (4), os avisos laranja e amarelo são para riscos de temporais.
O Inmet e a Defesa Civil também emitiram avisos de risco para temporais com ventos de até 60 Km/hora. O reflexo nas temperaturas deve chegar na sexta-feira (2). O domingo, dia do 1º turno das Eleições 2026, poderá ser chuvoso. Veja, abaixo, como fica o tempo nos próximos dias.
Entenda por que é normal início da Primavera ter temperaturas maiores do que o Verão
A aproximação de uma frente fria que se desloca em direção ao estado de São Paulo e deve fazer o calorão começar a perder força. Mas, a previsão aponta que as temperaturas mínimas ainda ficam entre os 18ºC e 21ºC nesta quinta-feira (1º). As máximas ultrapassam os 30ºC em Piracicaba (SP), com risco de temporais.
Primavera com cara de verão: a estação começou com dias quentes e predominância de sol na região de Piracicaba (SP).
As temperaturas máximas elevadas são comuns nesse período, inclusive normalmente superam as marcas registradas no verão, de acordo com o professor e pesquisador Fábio Marin, do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o campus da Universidade de São Paulo (USP).
Depois de bater recorde de menor temperatura do ano, Piracicaba tem alerta para onda de calor
Claudia Assencio/g1
Onda de calor: O aviso vermelho do Inmet equivale ao grau mais alto na escala do instituto. A região Piracicaba pode ter primeira onda de calor da primavera com temperaturas de até 39ºC.
A temperatura máxima alcançou 35ºC em Piracicaba na tarde desta terça-feira (29), apontam dados do Centro integrado de informações agrometeorológicas (Ciiagro).
Esta é a primeira onda de calor esperada para a primavera, que começou no dia 22 de setembro. A expectativa é que o fenômeno seja registrado com mais frequência nos próximos meses. Um dos fatores que explicam a recorrência do fenômeno é o El Niño. Saiba mais, a seguir.
Cidades da região de Piracicaba integram alertas amarelo para tempestade e vermelho para onda de calor
Reprodução/Inmet
➡️ ENTENDA: Uma onda de calor é um fenômeno meteorológico que acontece quando uma determinada região registra temperaturas muito acima da média por uma sequência de dias.
🟡 Amarelo: perigo potencial
🟠 Laranja: perigo
🔴 Vermelho: grande perigo
No geral, os meteorologistas estabelecem que, para o fenômeno se configurar, as temperaturas precisam ficar ao menos 5ºC acima da média por um período de cinco dias ou mais.
Já o Inmet define uma onda de calor quando há um aumento de 5ºC na temperatura em relação à média mensal, independentemente da quantidade de dias de duração.
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Alerta para tempestades
Os alertas amarelo e laranja do Inmet para perigo de tempestades têm validade o início desta quinta-feira (1º) e prevê chuvas de até 50 milímetros em algumas regiões, com ventos de 40 e 60 km/h, com chances de queda de granizo.
O aviso ainda estima baixo risco de corte de energia elétrica, estragos em plantações, queda de galhos de árvores e de alagamentos.
Piracicaba
Veja abaixo, na previsão, como ficam as temperaturas nos próximos dias segundo o Inmet.
Quarta-feira (30): mínima de 18°C e máxima de 38°C
Quinta-feira (1º): mínima de 21°C e máxima de 38°C
Sexta-feira (2): mínima de 18°C e máxima de 31°C
Sábado (3): mínima de 14°C e máxima de 25°C
Domingo (4): mínima de 15°C e máxima de 28°C
Limeira
Quarta-feira (30): mínima de 19°C e máxima de 37°C
Quinta-feira (1º): mínima de 21°C e máxima de 37°C
Sexta-feira (2): mínima de 15°C e máxima de 24°C
Sábado (3): mínima de 16°C e máxima de 25°C
Domingo (4): mínima de 16°C e máxima de 25°C
Setembro chuvoso
Piracicaba (SP) tem o mês de setembro mais chuvoso dos últimos dez anos. Até esta segunda-feira (28), a cidade somava 211 milímetros (mm) de precipitação. A explicação para o cenário é o El Niño, aponta o agrometeorologista Fabio Marin, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", da Universidade de São Paulo (Esalq-USP).
"Podemos colocar na conta dele. O El Niño já está funcionando. A atmosfera está bem acoplada ao Pacífico. As águas estão já no El Niño forte, passando de 1,5 e chegando a 2 graus, agora, no final de setembro", disse.
Nos primeiros 11 dias do mês, setembro já tinha mais que o dobro do volume esperado para o período, com 151 milímetros de chuvas. A média histórica de chuvas prevista para setembro em Piracicaba é de 60 milímetros, segundo o Posto Meteorológico "Jesus Marden do Santos" da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq-USP).
Leia também: Piracicaba tem inverno mais chuvoso em 110 anos, aponta USP
Rio Piracicaba entra em emergência para risco de transbordamento
Chuva no Sudeste: o professor ressalta que o último El Niño com setembro muito chuvoso foi registrado em 2015. "Era um El Niño muito forte, reforçando a ideia de que, na maioria dos El Niños muito fortes, temos tendência de chuva acima da média no Sudeste", disse.
A expectativa é de chuva com o El Niño, e isso está se confirmando. A primavera será mais chuvosa que a média. Setembro já começou assim. A tendência, talvez não tanto como agora, mas é de ter mais chuva do que seca. A temperatura, inclusive, deverá ficar na média até mais ou menos janeiro, fevereiro de 2027. É um El Niño muito forte. E esclareço: tecnicamente, não existe o termo Super El Niño", pontuou.
Piracicaba tem setembro mais chuvoso em uma década
Reprodução/EPTV
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Veja, abaixo, o ranking de volume de chuvas registrados nos meses de setembro em Piracicaba, entre 2010 e 2026:
Volume de Chuvas - Mês de Setembro (2010 - 2026)
Como o El Niño interfere no campo e na cidade?
O professor e pesquisador da USP afirma que as chuvas desta época favorecem a agricultura, mas impactam negativamente as cidades, os centros urbanos, com as enchentes.
"A expectativa é chuva. Não é de seca e fogo. A Defesa Civil tem que ficar preparada para deslizamento e alagamento", alertou.
Pôr do sol sobre a lavoura
Divulgação/Francisco Salesio Schmitt.
Forte como em 2015
O professor Fabio Marin aponta perspectivas favoráveis para a agricultura. O comparativo histórico demonstra que o comportamento atual de chuvas volumosas em setembro assemelha-se ao padrão observado durante o forte El Niño de 2015, reforçando a tendência de precipitações acima da média no Sudeste.
Já o Norte e o Nordeste enfrentam realidades distintas regidas pela escassez hídrica e pela neutralidade das temperaturas no Oceano Atlântico.
"Essa é uma tendência boa para a agricultura, do Triângulo Mineiro pra baixo. Ao norte do Brasil, a preocupação é o contrário. Lá, a preocupação é mais a seca, especialmente no extremo norte, Pará, Amazonas, Roraima, Amapá e, inclusive, o Nordeste. Mas, o Nordeste é regulado pela temperatura do Oceano Atlântico. Não é só a temperatura do Pacífico que controla o Nordeste. O Atlântico está neutro, nem desfavorecendo, nem favorecendo", analisou o especialista.
Cidades se preparam para possíveis impactos do El Niño no Sudeste
Sudeste
Para o Sudeste, a perspectiva é boa para a agricultura, com exceção da cana-de-açúcar, que precisa ser colhida ainda no campo.
No setor sucroenergético, a colheita da safra atual estende-se até dezembro devido a atrasos operacionais decorrentes da umidade, provocando uma queda no teor de açúcar dos canaviais (ATR).
"Essa safra deve chegar até dezembro, com pouquinho de atraso. Também cai um pouquinho o teor de açúcar dos canaviais, a gente chama do ATR, fica mais baixo. A produtividade melhora, mas a concentração de açúcar cai e deve sobrar cana pro ano que vem. Chamamos isso de cana bisada. Mas, por outro lado, as canas que estão no campo, que já foram colhidas, são muito favorecidas e devem produzir bem em 2027", disse.
"Começamos a ter um olhar otimista aqui para as culturas. Pastagens também favorecidas, a semeadura de grãos [aqui] na região também favorecidas por conta da chuva", acresecentou.
Gramadão do setor de Máquinas Agrícolas da Escola Superior de Agricultura 'Luiz de Queiroz' em Piracicaba com geada em 2025
Áureo Santana/ Departamento de Biosistemas da Esalq/USP
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