Morre jovem com melanoma que recorreu à Justiça para obter medicamento de R$ 80 mil: 'Lutou até o último dia', diz mãe

  • 21/07/2026
(Foto: Reprodução)
A moradora de Coronel Macedo não estava planejando engravidar, mas relatou que sempre sonhou ser mãe Arquivo pessoal/Maria Eduarda Cardoso A jovem de 25 anos, que foi diagnosticada com melanoma em estágio avançado, morreu na sexta-feira (17) em Coronel Macedo (SP). A morte de Maria Eduarda Cardoso Ferreira foi confirmada pela família dela ao g1 nesta segunda-feira (20). De acordo com a mãe de Maria Eduarda, Andréia Cardoso Ferreira, de 43 anos, a filha sofreu um sangramento cerebral. Ela relatou, na sexta-feira, que estava com dores e mal estar. A família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que prestou os primeiros socorros, a jovem morreu a caminho do hospital. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp “A Duda lutou até o último dia e suspiro contra essa doença. Infelizmente, neste último diagnóstico, a doença atingiu o sistema nervoso e a cabeça dela. Ela foi muito especial”, disse Andréia. Maria Eduarda trabalhava como enfermeira. Ela era casada e havia dado à luz ao primeiro filho há cerca de cinco meses. O batizado da criança ocorreu um dia antes da morte da jovem. “Na mesma semana, na quinta-feira, aconteceu o batizado do Rafael, que ela tanto queria. Ela conseguiu ver o batizado do filho. A partida dela tem sido muito difícil. Ela queria viver, queria a cura dessa doença, pois queria estar cuidando do Rafael”, lamentou a mãe Andréia relembrou que, recentemente, a filha havia sido submetida a uma sessão de radioterapia na região da cabeça e, desde então, seguia recebendo cuidados em casa. Com o avanço da doença, ela passou a enfrentar limitações na mobilidade e na comunicação. “A doença foi tomando conta dela, mas mesmo assim, cada dia mais ela lutava e falava: ‘eu vou vencer’. A Maria Eduarda era uma menina doce, meiga, carinhosa, que amava a vida e lutava pelos sonhos dela. Ela amava o Rafael de um jeito que não tinha explicação”, contou Andréia. “Entramos aqui no quarto dela e parece que ela vai chegar a qualquer momento e chamar a gente. Uma solidão e vontade de sair gritando por ela”, completou. A mãe da jovem confirmou a morte dela ao g1 nesta segunda-feira (20) Arquivo pessoal/Andréia Cardoso Ferreira Doses de R$ 80 mil Enquanto lutava contra o câncer, ela também enfrentava uma batalha na Justiça para conseguir acesso a um tratamento imunoterápico, avaliado em cerca de R$ 80 mil e indisponível no Sistema Único de Saúde (SUS). Andréia acredita que, se a filha tivesse recebido a imunoterapia antes do avanço da doença, poderia ter apresentado uma resposta mais positiva ao tratamento. Segundo a mãe, o pedido de acesso ao medicamento foi negado pela Justiça. LEIA TAMBÉM: Brasilísia de Camargo, segunda mulher a ocupar uma cadeira na Câmara de Tatuí, morre aos 92 anos Morre aos 109 anos Lazara Barbosa, matriarca com mais de 130 descendentes no interior de SP Prefeito de Itapetininga se afasta do cargo por 45 dias para tratamento contra o câncer Maria Eduarda chegou a aplicar algumas doses do medicamento após uma arrecadação financeira feita pela família e amigos. “A doença já estava bastante espalhada pelo corpo dela, havia muitas metástases. Foi brigando com as doses que ela tomou”, aponta a mãe. A mãe de Maria Eduarda compartilhou que a família não desistia de lutar contra a doença Arquivo pessoal/Andréia Cardoso Ferreira A Justiça Federal, por meio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), informou que negou o pedido porque um dos medicamentos solicitados não é incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o tribunal, a decisão seguiu o entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), consolidado nas Súmulas Vinculantes nº 60 e nº 61, que estabelecem critérios para que o Judiciário determine o fornecimento de medicamentos pelo poder público, especialmente quando eles não estão incorporados ao SUS. Entre esses critérios está a necessidade de comprovação técnica e médica da indispensabilidade do tratamento solicitado. Ainda de acordo com o TRF3, o pedido de tutela de urgência foi negado em 18 de abril de 2026. Posteriormente, em sentença proferida em 11 de junho do mesmo ano, a Justiça confirmou a decisão. Em nota ao g1, o Ministério da Saúde informou que atua apenas nos casos em que há decisão judicial favorável para o fornecimento do medicamento, o que não ocorreu no processo. A pasta acrescentou que, desde a publicação da Portaria da Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), em outubro de 2025, vem acelerando o acesso dos pacientes aos medicamentos por meio da reestruturação da logística de distribuição. Segundo o ministério, as medidas incluem a integração de sistemas entre estados e municípios, a aquisição centralizada de medicamentos e a rastreabilidade dos estoques. "Com investimento de R$ 2,2 bilhões, a iniciativa ampliará em 35% a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer. Ao todo, serão incorporados gradualmente 23 novos fármacos de alto custo, beneficiando cerca de 112 mil pacientes", diz o comunicado. O diagnóstico Em março do ano passado, Maria Eduarda recebeu o diagnóstico da doença após realizar a biópsia de uma pinta de nascença na coxa esquerda. Em entrevista ao g1, em abril deste ano, a jovem contou que, por trabalhar na área da saúde, percebeu que algumas alterações na pinta eram incomuns. "Eu sempre tive essa pinta, só que ela começou a mudar de forma, cor e tamanho. Como eu sou enfermeira, lá no hospital mesmo onde eu trabalho, a gente resolveu tirar essa pinta para fazer a biópsia. Eu tinha acabado de chegar de um plantão noturno e o laboratório me mandou o resultado da biópsia", relembrou Maria Eduarda, na época. Logo após o diagnóstico, ela iniciou o tratamento contra o câncer em um hospital de Jaú (SP). Na unidade, passou por duas cirurgias: uma para ampliação das margens e outra para a biópsia de linfonodo sentinela. Com a confirmação de malignidade, a paciente foi transferida para Barretos (SP), onde deu continuidade ao tratamento e se submeteu a novos procedimentos cirúrgicos. Em Barretos, a jovem ia participar de uma pesquisa clínica para iniciar a imunoterapia, mas o processo precisou ser interrompido após a descoberta de que ela estava grávida. Jovem de 25 anos conta com apoio da família em luta contra câncer em estágio quatro Arquivo pessoal/Maria Eduarda Cardoso Em abril, a paciente compartilhou com o g1 os atestados médicos feitos pela cirurgiã oncológica Lorena Luiza Siqueira Marques, do Hospital do Amor, em Barretos. Em novembro do ano passado, quando ainda estava gestante, Maria Eduarda sofreu uma progressão da doença, com o crescimento de linfonodo e a confirmação da malignidade. Conforme os documentos médicos, em fevereiro, ela passou por novos exames de imagem, que apontaram a progressão do câncer em ossos, pulmões, linfonodos e nódulos subcutâneos. Um atestado emitido no fim de março deste ano, assinado pelo oncologista Caio Augusto Dantas Pereira, indicou que Maria seguia em tratamento para o controle da dor, sem resultados satisfatórios. Na mesma semana, especialistas recomendaram a imunoterapia como alternativa para conter o avanço da doença e ampliar a sobrevida. No documento, consta que, com a medicação indicada para melanoma maligno metastático, o paciente tem possibilidade de resposta favorável, como redução, estabilização e até mesmo o desaparecimento de tumores secundários. No caso de Maria Eduarda, foram indicados os medicamentos inibidores de PD-1 e CTLA-4. Eles retiram o bloqueio que o tumor impõe ao organismo. Ao fazer isso, permitem que as células de defesa voltem a identificar o câncer como algo anormal e passem a combatê-lo. Segundo o relato da paciente, não existia um número definido de doses para o tratamento indicado, que é mantido até a resposta clínica, a toxicidade do medicamento ou a evolução do quadro. Cada aplicação custa cerca de R$ 80 mil. Mobilização pela cidade Moradores fizeram carreata por Coronel Macedo para divulgar campanha de jovem com câncer Para que a jovem conseguisse seguir com as aplicações da imunoterapia, amigos e familiares de Maria Eduarda iniciaram uma campanha de arrecadação. No dia 11 de abril, a rede de apoio organizou uma carreata de surpresa, como uma forma de prestar apoio à jovem. Os veículos passaram por diversas ruas da cidade, com balões verdes e mensagens de motivação. Ao final, o grupo se reuniu em uma praça e fez uma oração. Assista ao vídeo acima. Amigos e familiares de Maria Eduarda organizaram uma carreata em apoio a jovem no tratamento contra o câncer Arquivo pessoal/Maria Eduarda Cardoso *Colaborou sob a supervisão de Larissa Pandori Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/07/21/morre-jovem-com-melanoma-que-recorreu-a-justica-para-obter-medicamento-de-r-80-mil-lutou-ate-o-ultimo-dia-diz-mae.ghtml


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