Laudo aponta 14 hematomas nas mãos, pés e pernas de Larissa, morta com tiro; marido PM está preso
09/09/2026
(Foto: Reprodução) Caso Larissa: exame confirma que disparo foi feito do lado esquerdo da cabeça
O laudo necroscópico de Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, descreve ao menos 14 equimoses arroxeadas — marcas semelhantes a hematomas — distribuídas pelas mãos, pelos pés, pelos joelhos e pela perna esquerda.
Larissa foi encontrada morta com um tiro na cabeça no banheiro da casa onde vivia com o marido, o soldado da Polícia Militar Vinícius Costa Silva, de 26 anos, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. Ele está preso temporariamente e é investigado por suspeita de matar a esposa. Vinícius nega o crime e sustenta que ela tirou a própria vida.
Segundo o documento, foram identificadas:
uma equimose de 4 cm por 2 cm na lateral da mão esquerda, próxima ao dedo mínimo;
uma de 1 cm por 1 cm no dorso da mão direita;
duas nos dorsos dos pés, uma de 3 cm por 2 cm e outra de 2,4 cm;
três no joelho direito, medindo entre 0,5 cm e 1,5 cm;
duas no joelho esquerdo, de 1 cm por 0,5 cm e de 1 cm por 1 cm;
cinco na perna esquerda, com tamanhos entre 1 cm e 1,5 cm.
O laudo não determina quando nem de que maneira essas lesões foram produzidas. Por isso, o documento, isoladamente, não permite afirmar se as marcas decorreram de agressões, queda ou outra circunstância. A coloração arroxeada também não basta para estabelecer com precisão a data dos ferimentos.
O exame registra ainda a presença de “muitos fios de cabelos soltos” grudados na calça de Larissa, sem vestígios de sangue. O trecho não informa de quem eram os fios nem explica como foram parar na roupa.
A causa da morte foi definida como traumatismo craniano decorrente de ferimento por arma de fogo.
De acordo com o documento, Larissa foi atingida por um único tiro:
“Um projétil penetrou em região temporal esquerda do crânio e saiu na região temporoparietal direita, perdendo-se no meio ambiente. O vetor do trajeto foi de trás para frente e da esquerda para a direita.”
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O laudo também responde negativamente ao quesito que pergunta se a morte foi provocada por “veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel”. Essa resposta, contudo, não afasta por si só a possibilidade de homicídio: significa apenas que os legistas não identificaram no exame nenhuma dessas circunstâncias específicas.
O resultado do exame toxicológico ainda não ficou pronto.
A defesa diz que Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa.
A técnica em radiologia Larissa era casada com o PM Vinicius. Polícia apura se ela se matou ou se foi assassinada em Embu das Artes..
Reprodução/Arquivo pessoal
Trajetória do disparo
As informações preliminares da perícia já indicavam que o disparo havia atravessado a cabeça de Larissa da esquerda para a direita e atingido a região situada atrás da orelha esquerda. Segundo a investigação, como ela era destra, seria improvável que conseguisse produzir aquela trajetória ao atirar contra si mesma.
A delegada Bruna Caracho Crippa, responsável pelo caso, afirmou que os dados observados durante o exame necroscópico, somados a outros elementos reunidos pela polícia, levaram ao pedido de prisão temporária.
Peritos dizem que Larissa foi baleada pelas costas
Segundo os peritos, o disparo não foi feito à queima-roupa. A análise preliminar indicou ainda que Larissa teria sido baleada pelas costas enquanto estava em pé. A principal hipótese investigada é a de feminicídio.
A arma de Vinícius, uma pistola Taurus calibre .357, foi encontrada debaixo do corpo da vítima e apreendida para perícia, juntamente com o coldre, o carregador, munições e o estojo de munição.
Versão do marido
Vinícius declarou à polícia que disse à esposa que não a amava mais e queria se separar. Segundo o relato dele, Larissa começou a chorar, e ele foi dormir no quarto. O PM afirmou que acordou ao ouvir um barulho e encontrou a mulher caída no banheiro.
A irmã de Vinícius também estava na residência e disse ter ouvido o casal conversar sobre a separação. O filho deles, de 2 anos, estava no imóvel no momento do disparo.
O soldado foi levado para o Presídio Militar Romão Gomes, na capital paulista. A Justiça manteve sua prisão temporária pelo prazo de 30 dias.
O celular dele também foi apreendido, mas Vinícius não informou a senha aos investigadores. A Polícia Civil ainda aguarda outros resultados periciais e deverá marcar uma data para a reprodução simulada dos fatos.
Em nota divulgada anteriormente, a defesa afirmou que Vinícius “jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa” e que os laudos e demais elementos da investigação demonstrarão que ele não cometeu crime. Segundo os advogados, existem conversas nas quais Larissa teria manifestado pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida caso o relacionamento terminasse.
A família da técnica em radiologia contesta essa versão e afirma acreditar que ela foi vítima de feminicídio.