Flávio Bolsonaro nega ter negociado fim da reeleição com Tarcísio: 'Não preciso de pacto para a gente caminhar junto'

  • 24/08/2026
(Foto: Reprodução)
Flávio Bolsonaro após reunião na Fiesp, em São Paulo, nesta segunda-feira (24). THEO DAOLIO/ESTADÃO CONTEÚDO O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) negou nesta segunda-feira (24) ter negociado com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um pacto pelo fim da reeleição em troca de maior engajamento na campanha. “Não preciso de pacto com Tarcísio para a gente andar junto. Nós sempre caminhamos juntos e assim que vai continuar”, afirmou Flávio após cumprir agenda com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista. Segundo a colunista Ana Flor, do g1, a campanha de Flávio procurou Tarcísio propondo um acordo para acabar com a possibilidade de reeleição. A mudança já valeria para um eventual mandato do senador caso ele vença a disputa pelo Palácio do Planalto em outubro. Questionado sobre a articulação, Flávio negou que a proposta tenha partido dele, mas ressaltou que falava apenas por si. “Não aconteceu. Pelo menos da minha parte, não. Eu falo com o governador Tarcísio a qualquer momento, ele me liga a qualquer momento também. E eu tenho um pacto com ele, sim, que é salvar o Brasil”, disse. Flávio afirmou ainda que o fim da reeleição presidencial já era uma bandeira defendida por ele anteriormente. “A questão de ter protocolado uma PEC com a proposta de acabar com a reeleição para presidente sempre foi uma bandeira minha.” Agora no g1 Perguntado se considera adequado o nível de engajamento de Tarcísio em sua candidatura, Flávio respondeu que sim e disse esperar apoio também de aliados do governador. “Tenho certeza que sim, não só do Tarcísio, mas do prefeito Ricardo Nunes, da sua base de vereadores, dos nossos candidatos a deputados federais, deputados não apenas do PL, mas também dos Republicanos, que é o partido do governador Tarcísio”, afirmou. Flávio evita dizer se apresentará contrato de Dark Horse Na mesma entrevista, Flávio voltou a evitar dizer se apresentará o contrato relacionado ao filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Nesta segunda, a Polícia Federal passou a ter acesso a elementos reunidos pela Polícia Civil de São Paulo durante uma operação de busca e apreensão no Instituto Conhecer Brasil (ICB), ligado à produtora de Dark Horse. O material será analisado no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a suspeita de que emendas parlamentares possam ter abastecido a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O compartilhamento dos dados foi autorizado pelo ministro Flávio Dino. Questionado sobre a prestação de contas do longa, produzido pela Go Up, o candidato afirmou que as informações sobre os gastos já foram apresentadas no âmbito de uma investigação em São Paulo. Flávio se referia a uma perícia anexada pela produtora do filme, Karina Gama, ao inquérito que corre na Polícia Civil. Contratado pela própria produtora, o documento aponta que os gastos com o longa somaram R$ 75 milhões, mas não apresentou recibos ou notas fiscais que comprovassem os desembolsos. Trocas de mensagens mostram que Flávio pediu dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a pretexto de financiar o filme. Nesta segunda, o candidato afirmou que a produtora gastou mais recursos do que recebeu. “A produtora gastou mais até do que recebeu de investimento, enfim, de onde foram, aonde foi gasto o dinheiro. A prestação de contas foi feita dentro da investigação que está acontecendo em São Paulo”, afirmou. Flávio classificou o filme como uma relação privada e direcionou as cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Vocês querem insistir com uma relação privada, um filme privado. Hoje o governo Lula é que deve explicações, vão cobrar explicações deles.” Campanhas exploram acusações de corrupção A troca de acusações ocorre em meio à tentativa das duas campanhas de associar o adversário a suspeitas de corrupção. Enquanto o entorno de Lula explora a relação de Flávio com Vorcaro e os questionamentos sobre o financiamento do filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, Flávio tenta vincular o petista e pessoas próximas a ele a suspeitas de irregularidades. Na coletiva, o candidato citou Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho mais velho do presidente, investigado pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência e corrupção em inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). “Cadê o Lulinha? Está onde? Está na Espanha? Está morando naquele lugar luxuoso mesmo?”, questionou. Escala 6 x 1 Durante fala no evento, Flávio Bolsonaro defendeu a liberdade do trabalhador decidir pela própria carga horária. A proposta consta no plano de governo do candidato e é apresentada como uma alternativa ao fim da escala 6x1. O senador defende que trabalhadores e empresas tenham mais liberdade para negociar diretamente as condições de trabalho, desde que respeitados os limites previstos em lei. "Vamos dar liberdade para que as pessoas possam escolher a sua carga horária de trabalho”, afirmou. O plano adota o princípio do “negociado sobre o legislado”, permitindo que empregado e empresa estabeleçam condições que atendam às necessidades dos dois lados, em vez da adoção de uma regra única para todos os trabalhadores. Skaf evita declarar apoio a Flávio Ao final da coletiva, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, foi questionado diretamente se declararia apoio a Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Ele evitou responder objetivamente e disse que a entidade defende princípios como economia liberal, menor participação do Estado, mais competitividade, juros menores e responsabilidade fiscal. Skaf afirmou que Flávio compartilha dessas posições. “Esses princípios, o candidato Flávio Bolsonaro, ele defende esses mesmos princípios, e isso tem a nossa simpatia”, disse. Na mesma resposta, o presidente da Fiesp ressaltou que a entidade não é partidária. "A Fiesp não é partidária e a Fiesp não fulaniza A, B ou C. Mas esses princípios para o bem do Brasil nós defendemos, sim”, afirmou.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2026/noticia/2026/08/24/nao-preciso-de-pacto-para-a-gente-caminhar-junto-flavio-bolsonaro-tarcisio.ghtml


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