Defesa de vítimas que denunciaram padre por crimes sexuais em SP aponta omissão da Igreja no caso

  • 16/08/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia pede a prisão de padre suspeito de assédio contra coroinhas O advogado que defende as vítimas do padre Mário Reis da Silveira, investigado por crimes sexuais contra coroinhas de uma igreja de Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto (SP), criticou a atuação da Igreja Católica no acolhimento das vítimas. Em nota, o advogado Felipe Silveira afirmou que as vítimas procuraram a igreja diversas vezes para denunciar os casos, mas tiveram os pedidos negligenciados. "É fundamental destacar e repudiar a total omissão da Igreja Católica em dar o devido amparo às vítimas que, ao longo de todos esses anos, procuraram a instituição para denunciar. Em vez de acolhimento e proteção, o que se viu foi negligência acobertando a dor de quem já estava em situação de extrema vulnerabilidade". ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp A Arquidiocese Metropolitana de Ribeirão Preto já havia negado as acusações. Em nota, afirmou que adotou as providências cabíveis desde que tomou conhecimento das denúncias, instaurou procedimentos canônicos, cooperou com as autoridades e mantém “tolerância zero” contra qualquer forma de abuso sexual, especialmente contra crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis. O g1 entrou em contato novamente com a instituição, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem também questionou o Vaticano por e-mail, mas a assessoria de imprensa da Santa Sé orientou a tratar da questão diretamente com as autoridades locais. "Em relação ao seu pedido, sugerimos que entre em contato diretamente com a diocese competente", comunicou. Padre Mário Reis da Silveira é alvo de denúncia por crimes sexuais em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Pedido de prisão A Polícia Civil pediu na última quinta-feira (13) à Justiça a prisão preventiva do padre Mário Reis da Silveira, afastado desde março das atividades da igreja em Bonfim Paulista. O inquérito policial concluiu que o religioso cometeu os crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual contra coroinhas da igreja. Agora, o Ministério Público vai analisar se oferece ou não denúncia contra o padre. Não há prazo para a manifestação. O processo corre sob segredo de Justiça. Em nota, o advogado Pedro Brichi Seixas dos Reis, que defende o religioso, afirmou que a conclusão da investigação não significa culpa e criticou a apuração da Polícia Civil. "Por dever de esclarecimento, registra-se que o relatório final de inquérito policial não constitui acusação formal, tampouco juízo de culpa. Trata-se de peça de natureza opinativa, produzida unilateralmente na fase investigativa, sem contraditório e sem ampla defesa, cujas conclusões não vinculam o Ministério Público nem o Poder Judiciário". A defesa das vítimas afirma que acompanhará a decisão do Ministério Público sobre o oferecimento ou não da denúncia. "Agora, o nosso foco é acompanhar a remessa dos autos ao Ministério Público para o imediato oferecimento da denúncia, garantindo que a justiça criminal seja feita, que as responsabilidades institucionais não sejam apagadas e que as vítimas tenham o respaldo jurídico e a reparação que merecem". Padre Mário Reis da Silveira é alvo de denúncia por crimes sexuais em Ribeirão Preto (SP) Reprodução/EPTV Apuração da polícia Segundo fontes da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), conteúdos extraídos pela perícia dos celulares do padre reforçaram relatos das vítimas ouvidas durante o inquérito. Entre os materiais analisados, ainda segundo fontes ligadas à investigação, estão trocas de mensagens e imagens de cunho íntimo envolvendo menores de idade. Ao longo da apuração, ao menos seis vítimas foram ouvidas pela polícia. O padre também foi interrogado de forma remota e negou todas as acusações. Nos depoimentos, as vítimas relataram episódios de toques em partes íntimas, beijos e tentativas de beijo. Houve relatos de situações ocorridas há aproximadamente 20 anos e de outras mais recentes, segundo fontes ligadas ao caso. Em junho deste ano, a reportagem conversou com algumas pessoas que denunciaram o padre. Parte delas relatou que os episódios ocorriam quando o religioso as chamava para conversas particulares depois das missas. LEIA TAMBÉM Polícia Civil pede prisão de padre em Ribeirão Preto, SP, por crimes sexuais contra coroinhas Padre de Ribeirão Preto, SP, é indiciado por estupro de vulnerável e importunação sexual Padre é afastado e investigado após denúncias de assédio sexual em Ribeirão Preto O que diz a defesa Em nota, a defesa de Mário Reis afirmou que o caso está sob segredo de Justiça e que não vai se manifestar sobre detalhes da investigação, em respeito às normas legais. Segundo os advogados, todos os pontos serão esclarecidos nos autos do processo. “A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário, e reitera que o sr. Mario Reis da Silveira é presumidamente inocente, nos exatos termos do artigo 5º, inciso LVII, da Constituição Federal, condição que somente pode ser afastada por sentença penal condenatória transitada em julgado”, informou o advogado. Padre Mário Reis da Silveira, em Ribeirão Preto (SP), é alvo de investigação após denúncias de assédio. Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/08/16/defesa-de-vitimas-que-denunciaram-padre-por-crimes-sexuais-em-sp-aponta-omissao-da-igreja-no-caso.ghtml


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