Caso PM Gisele: Julgamento para expulsar tenente-coronel preso por matar esposa ouve testemunhas
14/09/2026
(Foto: Reprodução) Tenente-coronel Geraldo Neto é levado para presídio militar Romão Gomes
O julgamento do processo administrativo que pode expulsar da Polícia Militar (PM) o tenente‑coronel Geraldo Neto, preso sob a acusação de matar em 18 de fevereiro a esposa, a soldado Gisele Alves, deverá ser retomado nesta segunda-feira (14).
Estão previstos os depoimentos das testemunha de defesa do oficial, que está detido preventivamente no Presídio Romão Gomes da PM, na Zona Norte de São Paulo. A audiência está marcada para começar às 9h e será feita por videoconferência.
O caso tramita no Conselho de Justificação (CJ) da Polícia Militar e começou em abril. O procedimento analisa se o oficial mantém condições morais e funcionais para permanecer na corporação. Do contrário, poderá perder a patente de tenente-coronel.
Em maio já tinham sido ouvidos os depoimentos de três policiais militares amigas da vítima e de um oficial da PM que atendeu à ocorrência no dia do crime. Foram ouvidos uma soldado, um primeiro‑tenente, uma subtenente e uma cabo.
Neto também é acusado de usar o posto para tentar intimidar policiais militares de menor patente durante o atendimento do caso no apartamento do casal, no Centro, onde Gisele foi baleada e depois morreu. Os agentes registraram o comportamento do oficial com câmeras corporais, as body cams.
Relatos anteriores à investigação
PM Gisele foi baleada e morta pelo marido, tenente-coronel Neto, segundo o MP. Oficial está detido há mais de um mês no Presídio Militar Romão Gomes (ao centro).
Reprodução
O primeiro‑tenente afirmou à Polícia Civil que se surpreendeu com o o que viu no apartamento: “estranhou esta ocorrência em específico, pois o local estava mais preservado do que o de costume numa situação dessas”.
Já as três policiais amigas de Gisele relataram à investigação um histórico de controle, ciúme e comportamento possessivo por parte do tenente‑coronel.
Segundo os depoimentos, o oficial controlava redes sociais da esposa, monitorava conversas e restringia comportamentos pessoais, como o uso de maquiagem e perfume. As testemunhas também afirmaram que Gisele pretendia se separar após descobrir traições do marido.
Todas destacaram ainda que a vítima não apresentava tendências suicidas.
Interrogatório e andamento
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Ainda não há data definida para o interrogatório de Geraldo Neto no Conselho de Justificação. Se houver tempo, o oficial poderia ser ouvido nesta segunda-feira.
Procurada pelo g1, a defesa do oficial, feita por Eugênio Malavasi, confirmou a data da retomada do processo administrativo contra seu cliente.
O procedimento ocorre independentemente da esfera criminal e pode resultar na expulsão do oficial mesmo sem condenação criminal.
Formado por três coronéis, o colegiado analisa provas, ouve testemunhas e avalia a conduta do militar. Caso conclua pela incompatibilidade, o processo segue para o Tribunal de Justiça Militar (TJM), que pode determinar a perda do posto e da patente.
Acusação criminal
O tenente-coronel Geraldo Neto e a esposa, a PM Gisele Alves Santana.
Reprodução/Redes Sociais
Neto é réu na Justiça comum por feminicídio e fraude processual. Ele tem 53 anos. Gisele tinha 32 e deixou uma filha de 7 anos, fruto de um relacionamento anterior.
No dia 5 de outubro, Geraldo Neto será interrogado presencialmente no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste. Essa audiência é a última etapa antes de a Justiça decidir se o leva a júri popular pelos crimes.
O oficial está preso preventivamente desde 18 de março no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte.
Segundo o Ministério Público (MP), Gisele queria se separar, mas o marido não aceitava o fim do relacionamento. A acusação sustenta que ele matou a esposa com um tiro na cabeça e tentou simular um suicídio.
A defesa nega o crime e afirma que a própria Gisele tirou a vida após ele pedir o divórcio.
Laudos periciais e investigações da Polícia Civil e do MP, no entanto, indicam que o oficial teria segurado a cabeça da vítima antes do disparo e alterado a cena do crime.
Se condenado, a Justiça pode fixar indenização mínima de R$ 100 mil à família da vítima.
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